22 Abril 2014

Emocionalmente devastada

 Blackfish (2013)

 The Cove (2009)

Nunca mais entrarei num espetáculo com golfinhos e jamais, em tempo algum, assistirei a um espetáculo com orcas. Depois de ver estes dois documentários, é o mínimo a que uma pessoa se pode comprometer. E tudo farei para cumprir esta promessa. 

12 Abril 2014

Off work

E eis que regressei a Londres, 5 anos depois de lá ter vivido. E foi tão bom. 
Durante a viagem de avião, tratei de ler a Vogue – edição inglesa, pois claro – que a minha querida amiga Joana me ofereceu. Matei saudades da Linda McCartney – por quem me apaixonei na altura em que organizei uma exposição em sua homenagem , aprendi mais sobre a sempre inebriante Nigella Lawson, deliciei-me com um ensaio fotográfico cuja protagonista foi, nada mais, nada menos, do que a Christy Turlington e apercebi-me de que quero voltar a usar sombras azuis (… oh sweet sixteen …).
Então e a cidade? Para além de ter comido muito e bem – dim sum no Ping Pong de Bayswater, bifinhos no Le Relais de Venise de Marylebone High Street (onde já não ia desde o meu 26º aniversário), sushi no Pham Sushi de Barbican, entre muitas outras iguarias , pude fazer aquilo de que gosto mais: vaguear sem pressas e sem obrigações. Matei saudades da Waterstones e da Foyles – onde comprei o maravilhoso Meryl Streep: Anatomy of an Actor (obrigada!) e reencontrei a mais verdadeira das bibliófilas –, encantei-me com a enorme variedade de postais e de papéis de embrulho – Londres é a cidade para isso e ao que parece isto está completamente na moda (a Conchinha é a minha precursora favorita, comprei lembranças para os meus afilhados na Hamleys, ri-me na loja dos M&M'S, regressei ao meu cinema e vi o incrível The Grand Budapest Hotel. Isto claro, sem esquecer os inúmeros passeios por Angel, Borough e Chelsea. Houve tempo para tudo. Até para fazer coisas tão díspares como ir à HMV e à Victoria's Secret. Voltei retemperada, não haja dúvidas. E com coragem para enfrentar a vida real.

18 Março 2014

Estado das coisas

Lagoa do Canário (2)

para a Lorena Correia Botelho

O importante era mesmo
isso: não ver nada.

Acreditar na água;
saber que ela estava ali,
límpida, intensa, viva.

Por pouco tempo, como nós.

Manuel de Freitas

17 Março 2014

Filme após filme




Este fim-de-semana regressei ao clube de vídeo. Por mal dos meus pecados, aquele, que era mesmo perto de minha casa, fechou e agora tenho de deslocar-me até Telheiras sempre que quero alugar um filme (e não me falem no videoclube da ZON pois até a minha cinemateca pessoal tem mais variedade!). E lá fui. Observei atentamente as prateleiras e acabei por trazer três histórias distintas: Margin Call, Despicable Me 2 e Les petits mouchoirs, sendo que o filme francês era aquele que tinha mais vontade de ver. Erro crasso. Quanta presunção, Guillaume Canet! Não me parece que fossem necessários 154 minutos para dar a conhecer um grupo enfadonho de adultos que ainda não ultrapassou a adolescência. 1-5-4 minutos que caracterizam a amizade como uma fórmula cujos elementos predominantes são o egoísmo e o desrespeito? Que usam e abusam de estereótipos? Que apresentam as intervenções da personagem da Marion Cotillard, supostamente sensível e viajada, qual viciada em sedução, como o ponto alto da história? Poupem-me, a sério. Prefiro distrair-me com a alegria do Despicable Me 2 (e com as vozes deliciosas do Steve Carell e da Kristen Wiig). E, claro, prefiro, sem qualquer dúvida, a honestidade do Margin Call, um filme que se deu ao trabalho de expor profissionais da alta finança como seres humanos e não como caricaturas (vide Alec Baldwin no Blue Jasmine ou mesmo o Leonardo DiCaprio no The Wolf of Wall Street.).
Uma boa semana para todos. E bons filmes, claro está.

12 Março 2014

Ainda sobre o poder que as casas exercem sobre nós

Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo

06 Março 2014

Lido e relido

... ao passo que eu, daqui a umas horas vendo esta casa, do escritório os compradores vão fazer uma salinha de televisão, vão mandar deitar abaixo paredes, erguer outras, mudar portas, a casa onde os compradores vão morar não existe para mim, esta casa não existe para os compradores, a casa onde a Dora foi feliz com os meus pais não existe para mim, a casa onde fui infeliz com os meus pais não existe para a Dora, esta maneira intermitente de existirmos, a filha dos compradores, uma adolescente a mudar de pele, no meu quarto, sem saber de um gesto meu, de um susto, de um desejo, uma desconhecida a dormir no meu quarto e o sol a bater nos mesmos sítios, a oferecer-lhe uma luz igual à que me deu, a filha dos compradores a dormir no meu quarto e a chuva a fazer o mesmo barulho que eu ouvia… 

Os meus sentimentos, Dulce Maria Cardoso | pª194, Edições ASA

03 Março 2014

As minhas preferidas

Naomi Watts
 
 Glenn Close
 
 Camila Alves McConaughey
 
 Maria Menounos

Momentos para mais tarde recordar


E fez-se justiça.

Red Carpet IV

Camila Alves, a minha preferida. 
Boa noite! 

Red Carpet III

... mais um vestido metalizado e vou dormir ... 
Anita estás por aí? 

Red Carpet II

... a Lupita Nyong'o parece a Cinderela ...
... a Amy Adams está tão "pãozinho sem sal" ...
... obrigada Naomi Watts por abrilhantares a noite ...  

02 Março 2014

24 Fevereiro 2014

Saturação

Este ano, e pela primeira vez desde há muito tempo, não tenciono ver a cerimónia dos Óscares. Por três razões que não serão apresentadas pela sua ordem de importância: já não tenho a mesma estaleca que tinha para ficar acordada até às tantas da madrugada em frente à televisão, não me apetece ver a Jennifer Lawrence a ganhar mais um Óscar e ainda me apetece menos ver um filme como o American Hustle a ganhar o que quer que seja. Mas tenho pena, claro. Gostava de ver o Pharrell Williams a atuar e até simpatizo com a Ellen DeGeneres. Mas bom. Se bem me lembro, é raríssimo ver os meus favoritos a festejarem o que quer que seja. Vou-me ficar pelo red carpet. Lupita Nyong'o, I'll be watching you.

20 Fevereiro 2014

My it girl

Lupita Nyong'o
 
Deslumbrante e inspiradora.
(E que bálsamo para os olhos estes vestidos alegres e vibrantes.)

18 Fevereiro 2014

Em Busca da Verdade (1961)


Ontem à noite, em pleno Nimas, 
voltei a aperceber-me de que a capacidade de sobreviver é a maior das artes.

26 Janeiro 2014

18 Janeiro 2014

O homem que não tinha medo do silêncio




Hoje, depois de ontem à noite ter ido ver o Sonata de Outono ao Nimas, resolvi dedicar grande parte do meu dia a Ingmar Bergman. Nem sempre tenho coragem para voltar a ele, mas esta manhã senti essa necessidade e resolvi ver os três documentários que me foram oferecidos depois de um atencioso leitor, a quem agradeço muitíssimo, ter tido o cuidado de me alertar para a sua existência e importância. 
Já conhecia muitas das histórias que ali são contadas pelo realizador, especialmente por ter lido o Lanterna Mágica, mas foi extraordinário poder ouvir e ver o homem, a quem devo tanto, a falar sobre a mulher da sua vida - Ingrid –, a revelar pormenores da sua casa e do seu cinema privado, a confessar o seu repúdio pelos críticos e o seu amor pela música e a lamentar a maior deceção da sua vida.
Ei-lo, para nos mostrar na nossa nudez, dizia a capa do Ípsilon de 10 de Janeiro e é tāo verdade. Ingmar Bergman, como mais ninguém, compreendeu e, mais importante, conseguiu transmitir a verdade sobre o ser humano. A nós, e perante a impossibilidade de algum dia o virmos a conhecer pessoalmente, resta-nos agradecer e esperar que ele, homem que cria em espíritos e fantasmas, nos ouça. Mil vezes obrigada Ingmar Bergman.

13 Janeiro 2014

Ladies do it better

 Helen Mirren, Globos de Ouro 2014

 Emmanuelle Riva, Óscares 2013

 Outro bom exemplo: Meryl Streep, Óscares 2010

Há quase um ano, aqui neste mesmo blog, bati uma salva de palmas à Rititi a propósito do texto que ela escreveu sobre a classe da Emmanuelle Riva em comparação com o "estilo da Jennifer Lawrence ou da Amy Adams, meninas disfarçadas de princesas”. E hoje, enquanto espreitava as fotografias da gala de ontem dos Globos de Ouro, voltei a lembrar-me desse mesmo post quando me apercebi de que a mulher mais bem vestida da noite, aquela que sobressaía pela sua elegância e classe, era a Helen Mirren. 
Repetindo as sábias palavras da Rititi: "Isto que vocês estão a ver chama-se ter classe, ser superior, indiferente até, ao vestido que se usa ou aos sapatos e às jóias que nos decoram. Ter classe não tem nada a ver com roupa, nem com o estilo e muito menos com a moda, mas sim com a sabedoria, com a idade, com a vida."
Admiro imensamente a beleza feminina, mas prezo ainda mais aquelas mulheres que, para além da sua beleza, da sua star quality de que tanto se fala hoje em dia, revelam inteligência, experiência de vida e serenidade através da sua expressão facial.

12 Janeiro 2014

Tal Pai, Tal Filho

Se eu, por algum acaso da vida, me tornasse realizadora, gostava de saber fazer um filme como este:


Delicado

 Atento

Profundo 

Inteligente

 Enternecedor

Este é o meu cinema, aquele que vive dentro de mim, aquele que me reflete e me transcende.

02 Janeiro 2014

2014, finalmente


Esta fotografia, cuja autoria desconheço, representa aquilo que desejo para 2014: serenidade e conforto. E tudo o que isso implica, claro: saúde, bem-estar e muito amor à minha volta. E livros memoráveis. E filmes excelentes. Contem-me histórias, daquelas mesmo boas, que me comovam e me ponham a refletir sobre a vida de todos nós. E ofereçam-me presentes, assim de vez em quando. Não há nada mais triste do que uma vida sem surpresas, sem lembranças. Convém não esquecer que o amor, a amizade e a gratidão também se expressam através de um postal, de uma carta, de uma flor, de um presentinho embrulhado. Eu cá farei um esforço para não me esquecer disto e para levar um bocadinho de alegria às pessoas de quem gosto tanto. 

Equinócio

Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gim enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

David Mourão-Ferreira
 

E parabéns ao Mise en Abyme pelos seus 9 anos.